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sábado, 24 de janeiro de 2026

VIDA

  A privacidade praticamente não existe mais. Nossa vida é avaliada continuamente, quando não julgada e condenada. Somos observados de todas as maneiras, por uma plateia diversificada. A plateia observa, aplaude, julga, comenta e vai embora. A companhia permanece. É aquela que caminha junto quando o entusiasmo diminui, quando o silêncio se instala, quando não há nada a oferecer além da própria presença. A vida ensina que não precisamos de muitos olhos voltados para nós, precisamos de mãos que segurem as nossas quando o chão vacila. A companhia verdadeira conhece nossos dias comuns, não apenas os momentos de brilho. Ela compartilha o cansaço, respeita o tempo, entende os silêncios e não exige espetáculo. Com o passar do tempo, o desejo de agradar a todos vai cedendo espaço à necessidade de vínculos reais. A plateia gosta de versões editadas, a companhia aceita processos. A plateia se alimenta de aparência, a companhia sustenta a verdade. Há uma paz profunda em estar com quem não nos obriga a performar. Quem caminha ao nosso lado não exige explicações constantes, não cobra perfeição, não transforma fragilidade em motivo de afastamento. A vida se torna mais leve quando deixamos de buscar aprovação externa e passamos a valorizar quem escolhe ficar. A companhia certa não precisa ser numerosa, precisa ser verdadeira. Ela oferece abrigo emocional, partilha sentido e constrói pertencimento. Nos dias difíceis, é ela que permanece quando o entusiasmo some. Nos dias bons, é ela que celebra sem inveja. A maturidade nos ensina que ser visto não é o mesmo que ser cuidado. A plateia assiste de longe, a companhia se envolve. E no fim, quando o barulho cessa e os aplausos se dispersam, é a companhia que permanece ao lado. A vida não se sustenta em palcos, mas em relações que suportam o peso do real. Escolher bem a companhia é um gesto de sabedoria e também de amor próprio. Porque caminhar com quem respeita nossa verdade transforma qualquer trajeto em lugar habitável. E isso, mais do que aplausos, é o que realmente vale. 

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