A tragédia deste tempo, mais do que em qualquer outro, está nas desconexões familiares: lares disfuncionais gerando pessoas doentes, profundamente doentes. Isso não é novidade; a Escritura é rica em nos mostrar pais, mães e irmãos adoecidos, por razões diversas: ódio, inveja, desprezo, cobiça…
Jesus tratou desse tema. Também viveu conflitos entre os seus, observou a dinâmica das relações humanas de seu tempo e citou o profeta Miqueias: “Os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mq 7:6). Não por acaso, Malaquias encerra a profecia do Velho Testamento com um chamado à reconciliação intergeracional, para que a sociedade não entre em colapso: “Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4:6).
Pais doentes geram filhos doentes. Filhos doentes geram seus próprios filhos doentes. O ciclo é interminável, propaga-se de geração em geração e se adensa, pois o mal nunca se sacia. Contra isso não há remédio religioso: nem culto, nem promessa, nem campanha, nem subir montanha ou participar de “imersões” para expulsar fantasmas. Cura, de fato, só existe quando há perdão, e ele só acontece por intervenção exclusiva do Espírito Santo.
Sim, a cura, nesses casos, só brota quando o coração é encharcado de amor que se enraíza na alma. É preciso perdoar quem os outros foram para nós, quem somos para nós mesmos e quem estamos sendo para os demais. Quando esse orvalho cai sobre a vida, o mal se desfaz no “vento”, o amor restaura o chão da existência e a esperança renasce como sinal de um novo tempo…
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