Guardo comigo um convite de Jesus: ‘Sede perfeitos como você Pai do nosso é perfeito.’ Como humanos temos um referencial, uma meta, um ideal. A melhoria não pode acontecer de uma só vez, deve ser continua. Somos inacabados, necessitados de retoque e de aperfeiçoamento. A evolução é um processo existencial. Mas existe uma beleza particular em reconhecer que a perfeição não é o destino, mas a transformação é o caminho. A vida não pede acabamento impecável, pede disponibilidade para mudar. Estar em transformação é aceitar que ainda há ajustes, aprendizados e amadurecimentos acontecendo. É compreender que não estar pronto não significa estar perdido. Pelo contrário, significa estar vivo, em movimento, em construção. A ilusão da perfeição costuma gerar rigidez, cobrança excessiva e frustração constante. Já a consciência do processo traz humildade, paciência e compaixão consigo mesmo. Quem se permite transformar entende que errar faz parte, que cair ensina, que recomeçar fortalece. A transformação não acontece de forma linear. Há avanços e recuos, clarezas e confusões, dias de lucidez e outros de dúvida. Tudo isso compõe o crescimento. Não há necessidade de acelerar o que precisa de tempo. Cada etapa cumprida com honestidade prepara a próxima. A comparação interrompe esse fluxo, porque desloca o olhar do próprio percurso. Cada pessoa amadurece no seu ritmo, conforme as experiências que vive, as dores que enfrenta e os recursos internos que desenvolve. Estar em transformação é escolher aprender com o que acontece, em vez de apenas suportar. É olhar para si sem máscaras, reconhecer limites sem se condenar e celebrar pequenas evoluções que muitas vezes passam despercebidas. A transformação verdadeira não é espetáculo, é trabalho interno. Ela acontece nos pensamentos que se reorganizam, nas reações que se tornam mais conscientes, nas escolhas que passam a refletir valores mais profundos. Não exige perfeição, exige sinceridade. O coração que aceita o processo deixa de se cobrar tanto e passa a se cuidar melhor. Há sabedoria em entender que a vida não nos pede que sejamos prontos, mas disponíveis. Disponíveis para aprender, para rever, para mudar de rota quando necessário. A transformação é sinal de saúde interior, porque indica movimento, flexibilidade e abertura. Estar longe da perfeição não é falha, é condição humana. Estar em plena transformação é coragem. E essa coragem, exercida dia após dia, constrói uma versão mais verdadeira, mais consciente e mais inteira de quem se é.
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