Um misto de alegria e de expectativa invade nosso coração: estamos no Ano Novo de 2026. Acolho este novo ano como um presente de Deus. Gratidão ao Autor do tempo. Sim, chegar até aqui não foi simples, nem automático. Permanecer é um verbo exigente, porque implica atravessar dias bons e outros nem tanto, lidar com perdas, sustentar esperanças frágeis, recalcular rotas quando o caminho se mostrou diferente do esperado. Estar aqui é resultado de escolhas feitas mesmo quando faltava clareza, de passos dados mesmo quando o medo insistia em ficar. Um novo ano não começa em branco, começa carregando marcas, aprendizados, cicatrizes e também sementes. Reconhecer isso é sinal de maturidade. Prosseguir não significa repetir tudo do mesmo jeito. Há momentos em que a vida pede reinvenção, não como ruptura, mas como ajuste sensível ao que se tornou essencial. Reinventar é escutar o que mudou dentro, é aceitar que algumas versões de nós já cumpriram seu papel. É compreender que insistir em formatos antigos pode nos afastar da própria verdade. A permanência ganha sentido quando vem acompanhada de flexibilidade interior. Há forças que só se revelam quando aceitamos mudar de forma, não de essência. O novo ano não exige promessas grandiosas, pede presença honesta. Pede que caminhemos com mais consciência do que carregamos, do que deixamos e do que desejamos cultivar. Estar aqui importa porque cada dia vivido construiu algo em nós. Importa porque ainda há possibilidades, encontros, aprendizados, gestos de amor a serem feitos. Importa porque a vida continua chamando, mesmo depois do cansaço. Permanecer é um ato de coragem silenciosa. Prosseguir é um gesto de fé cotidiana. Reinventar-se é um sinal de sabedoria, não de fraqueza. Quando honramos o caminho já percorrido e nos abrimos ao que precisa ser transformado, seguimos mais inteiros. O novo ano não precisa ser perfeito, precisa ser verdadeiro. E isso já é muito.
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