Senhor da vida e do tempo,
Ao atravessar o limiar deste novo ano, não trago certezas nas mãos, apenas uma convicção serena no coração: haverá surpresas. Algumas me farão sorrir, outras talvez me silenciem. Ainda assim, sigo, confiando que nada foge ao Teu olhar.
Peço-te, não um ano perfeito, mas um ano com menos motivos de arrependimento. E se eu errar, porque certamente errarei, que sejam erros novos, não os mesmos de sempre. Que cada tropeço revele que aprendi a lição que ele se dispôs a ensinar, e que o passado não se repita por falta de escuta, mas apenas se transforme em memória amadurecida.
Concede-me sabedoria, não apenas a que vem dos livros ou dos conselhos, mas aquela que nasce da humildade de reconhecer limites e da coragem de mudar de rota. Que a experiência acumulada não me torne cínico, mas mais humano; não endureça meu coração, mas o torne mais compassivo.
Cuida dos que eu amo, mas que estão fora do alcance de minhas mãos.
Cuida das minhas amizades. Que eu saiba preservar as verdadeiras, reparar as frágeis e liberar, sem rancor, aquelas que já cumpriram seu tempo. Dá-me saúde do corpo, da mente e da alma, para viver com inteireza cada dia que me for dado.
Ensina-me a amar melhor: com menos medo, menos controle, menos expectativa; e com mais presença, verdade e generosidade. Que o amor não seja discurso, mas gesto; não promessa vazia, mas compromisso cotidiano.
E que eu não atravesse este ano alheio à dor do outro. Desperta em mim a solidariedade que não pergunta quem merece, mas simplesmente se oferece. Que eu seja abrigo quando possível, e silêncio respeitoso quando necessário.
Seja este um ano em que eu viva aprendendo, errando diferente, amando mais fundo e caminhando com gratidão. E que, ao final dele, eu possa reconhecer: não fui perfeito, mas fui honesto no meu esforço de me tornar melhor.
Em Nome d’Aquele que por ser perfeito banca as minhas imperfeições. Aquele por cuja graça sou o que sou. Existo e resisto em amor
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