Gosto de caminhos que se perdem no infinito. Aprecio ver as arvores que estão à beira dos caminhos. Quando se tem um objetivo, um ponto de chegada o cansaço se torna relativo. Mas é importante lembrar que caminhos longos não são percorridos apenas com força. Eles exigem ritmo, consciência e a humildade de reconhecer quando o corpo e o coração precisam de descanso. Muitas pessoas confundem pausa com desistência e, por isso, continuam além dos próprios limites até perderem a alegria da caminhada. Descansar não apaga o propósito. Ao contrário, pode devolver clareza para que ele seja vivido de maneira mais humana. A vida possui etapas em que avançamos rapidamente e outras em que o passo precisa diminuir. Nenhuma delas é inútil. Até a pausa participa do caminho quando é acolhida com sabedoria. Deus não mede nossa fidelidade pela velocidade. Ele conhece o esforço escondido, o cansaço acumulado e as batalhas que ninguém mais percebe. Há ternura em permitir que a alma respire sem culpa. Um coração exausto pode interpretar tudo como fracasso, enquanto um coração repousado volta a reconhecer possibilidades. Continuar não significa insistir de qualquer maneira. Às vezes, é preciso reorganizar a bagagem, pedir ajuda, rever uma direção ou simplesmente permanecer parado por um tempo. A constância verdadeira sabe adaptar o passo sem abandonar o sentido. Há sementes que passam longos períodos sob a terra antes de aparecer. Nem por isso deixaram de crescer. Assim também acontece conosco. Algumas pausas guardam transformações silenciosas que só serão percebidas depois. Quando descansamos em Deus, a esperança recupera fôlego e o caminho deixa de parecer uma condenação. Torna-se novamente travessia. E então seguimos, não porque todo cansaço desapareceu, mas porque aprendemos que a distância não precisa ser vencida de uma vez. Basta que cada passo encontre seu tempo, sua verdade e a serenidade necessária para continuar. Enquanto for possível, vou continuar caminhando alegremente.
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