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terça-feira, 30 de junho de 2026

PENSAR

 Hoje, três coisas me fizeram pensar sobre vitórias e derrotas.


A primeira foi assistir à comemoração de milhões de brasileiros pela eliminação da Alemanha pelo Paraguai. Pelos gritos e fogos que ouvi em minha vizinhança, parecia que, de alguma forma, o Brasil havia sido vingado pelo inesquecível 7 a 1. É curioso como uma derrota sofrida há tantos anos ainda desperta em nós o desejo de ver quem nos venceu experimentar o mesmo gosto amargo.


A segunda foi ver minha esposa chorar pela derrota do Japão diante do Brasil. Apaixonada pela cultura japonesa, ela lamentou sinceramente a eliminação da seleção nipônica, embora comemorasse a classificação brasileira. Seu coração foi grande o suficiente para abrigar duas emoções aparentemente contraditórias: a alegria pela vitória do seu país e a tristeza pela dor de um povo que ela aprendeu a amar.


A terceira foi descobrir que a maior torcida da Seleção Brasileira não está no Brasil, mas na Índia e em Bangladesh. Desde os tempos de Pelé, milhões de pessoas passaram a enxergar no Brasil um reflexo de si mesmas. Identificavam-se com a cor da pele de muitos de nossos jogadores, com nossa história de superação e com desafios sociais semelhantes aos seus.


Essas três cenas me levaram a uma pergunta: o que é mais difícil, saber perder ou saber vencer?


Perder dói. A derrota fere o ego, frustra expectativas e, às vezes, coloca em dúvida nosso próprio valor. Mas ela também pode nos ensinar resiliência. Quem sabe perder entende que um resultado não define uma vida. Cai, aprende, levanta-se e continua caminhando.


Vencer, porém, também exige virtudes que nem sempre possuímos.


A vitória pode nos embriagar. Pode nos convencer de que chegamos até ali exclusivamente por mérito próprio. E essa talvez seja sua maior armadilha.


Ninguém vence apenas por competência. Há talento, esforço e disciplina, sem dúvida. Mas há também oportunidades que outros nunca tiveram, pessoas que abriram portas, circunstâncias favoráveis e uma boa dose de sorte. Uma lesão, um detalhe, um erro de arbitragem ou um lance improvável podem mudar o destino de uma partida e, muitas vezes, de uma vida.


Quando esquecemos disso, a vitória deixa de ser motivo de gratidão e se transforma em arrogância. Passamos a tripudiar dos derrotados, como se o placar medisse o valor de alguém. Mas ele mede apenas o resultado daquele dia.


Da mesma forma, quem perde não deve concluir que lhe falta valor. Nem toda derrota revela incompetência. A vida distribui oportunidades de forma desigual, e nem todos largam da mesma linha de partida.


A verdadeira grandeza está em vencer sem humilhar e perder sem se entregar à melancolia.


Celebrar sem desejar a humilhação do outro.


Sofrer sem permitir que a dor nos transforme em pessoas amargas.


As taças enferrujam, os recordes são quebrados e os campeões mudam.


O caráter, porém, permanece.


Os maiores vencedores não são os que levantam troféus, mas os que conseguem permanecer humanos, tanto na vitória quanto na derrota.

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