Há um inimigo dentro de nós que não precisa de brechas para agir.
Ele nasceu conosco, conhece nossas fraquezas e se disfarça de boas intenções. Chamado nas Escrituras de "velho homem", essa natureza caída não se manifesta com gritos ou possessões, mas com vaidade distarçada de zelo, orgulho travestido de espiritualidade e autopiedade que se mascara de justiça propria.
É mais fácil culpar o diabo por nossas quedas do que admitir que há algo em nós que ainda não foi crucificado. Paulo declarou que nossa velha natureza foi pregada na cruz com Cristo, mas muitos de nós insistimos em ressuscitá-la diariamente, alimentando-a com elogios, conveniências e desculpas piedosas.
Demônios podem ser expulsos, mas o velho homem precisa ser negado, todos os dias.
A verdadeira guerra espiritual não começa com uma oração forte, mas com uma rendição sincera. Não é no culto que ela se define, mas no silêncio do quarto, quando escolhemos obedecer mesmo sem sentir. O velho homem teme a cruz, não os cultos. Ele pode cantar, pregar e servir, desde que continue no controle. Por isso, resisti-lo exige mais do que autoridade espiritual: exige morte.
É possível viver uma vida religiosa e ainda assim ser guiado pelo velho eu. Ele sabe usar até a Bíblia para justificar vaidades e esconder rebeliões. Enquanto não houver cruz, Cristo será apenas um adorno, não o Senhor. E sem essa entrega, continuaremos culpando o inferno por batalhas que, na verdade, já perdemos dentro do coração.
O maior perigo não é o diabo que ruge lá fora, mas o eu que reina aqui dentro. E só há um caminho de vitória: negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir Jesus. Não uma vez, mas todos os dias. Porque no fim, a verdadeira libertação não vem da expulsão do mal, mas da crucificação do ego.
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