Obadias é um daqueles livros que muita gente passa rápido porque ele é pequeno, mas a mensagem é pesada. Deus levanta Obadias para falar contra Edom, um povo que era parente de Israel, descendente de Esaú, irmão de Jacó. E o problema de Edom não foi só ter atacado. Foi ter assistido a dor do irmão com prazer. Enquanto Jerusalém era invadida, Edom ficou olhando de longe, se alegrou com a queda, aproveitou a fraqueza, entrou pelas portas, tomou o que não era seu e ainda entregou os fugitivos. E aqui existe uma palavra que atravessa gerações: Deus não vê apenas o que a pessoa faz com as mãos, Ele também vê o que ela sente no coração quando o outro cai. Tem gente que não empurra, mas comemora. Não derruba, mas torce para não levantar. Não aparece como maldoso, mas se alegra em silêncio quando vê alguém sangrando. Só que Obadias mostra que nenhuma alegria escondida diante da dor do outro passa despercebida aos olhos do Senhor. Edom achou que estava seguro nas suas montanhas, protegido na sua soberba, mas Deus disse: ainda que você se eleve como águia e ponha o seu ninho entre as estrelas, dali Eu te derrubarei. Porque quem se alegra com a queda do irmão revela que o problema não está na boca, está no coração. E Deus não trata só atitudes, Deus também pesa intenções. Obadias nos lembra que nunca devemos transformar a dor de alguém em satisfação, nem a queda de alguém em assunto, nem a fraqueza de alguém em oportunidade. Porque o mesmo Deus que vê quem cai, também vê quem aplaude a queda. E no Reino de Deus, quem se alegra com a destruição do outro acaba tendo que responder diante dAquele que viu tudo.
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