A vida oportuniza diferentes situações que provocam inúmeros sentimentos e reações. Posso dizer que o medo nunca ocupou muito espaço dentro de mim. A coragem, sim, me acompanhou e continua me acompanhando. Sou agradecido pela coragem que me habita e por tantas decisões assertivas que contabilizo em minha trajetória. Mas a coragem verdadeira raramente chega como ausência completa de medo. Na maioria das vezes, ela nasce enquanto o medo ainda está presente, lembrando riscos, ampliando dúvidas e tentando impedir o próximo passo. Ser corajoso não é tornar-se invulnerável. É reconhecer a insegurança sem entregar a ela o direito de decidir toda a caminhada. O medo possui uma função importante, pois alerta, protege e convida ao discernimento. O problema começa quando ele deixa de aconselhar e passa a governar. Então adiamos escolhas necessárias, permanecemos em lugares que já não possuem vida e recusamos oportunidades por antecipar apenas o pior. Deus não nos pede imprudência. Ele oferece uma confiança serena capaz de caminhar junto com a consciência. Há decisões que continuam difíceis mesmo depois da oração, mas o coração encontra uma força serena para assumi-las. A coragem pode aparecer num pedido de perdão, numa mudança de direção, no início de um projeto ou na decisão de estabelecer limites. Cada gesto diz ao medo que ele foi ouvido, mas não será o único a falar. A vida se expande quando retomamos essa liberdade interior. Nem sempre o resultado será exatamente o esperado, porém a alma amadurece ao participar das próprias escolhas. Deus acompanha quem avança com sinceridade, inclusive quando os passos ainda tremem. O começo de uma semana interior acontece quando deixamos de esperar a segurança perfeita e aceitamos caminhar com a força disponível. A coragem não elimina o medo, mas recoloca cada coisa em seu lugar. E quando a consciência, a fé e o propósito voltam a decidir, descobrimos que havia mais caminho diante de nós do que o medo permitia enxergar.
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