Samaria não estava só sem pão, Samaria estava sem direção. A cidade estava cercada, ninguém entrava, ninguém saía, a fome apertou, o desespero tomou conta e aquilo que antes ninguém teria coragem de tocar começou a ser tratado como sobrevivência. É assim que muita gente vai caindo sem perceber. Primeiro perde a sensibilidade, depois aceita pouco, depois se acostuma com restos, depois chama prisão de fase, depois começa a normalizar o absurdo porque a fome da alma já ficou maior do que o discernimento. A fome em Samaria não revelou apenas uma mesa vazia, revelou um povo longe da voz de Deus, porque quando Deus deixa de ser o centro, até o errado começa a parecer saída. Mas Deus ainda tinha resposta, e olha de onde ela veio. Não veio do palácio, não veio dos fortes, não veio de quem tinha nome, veio de quatro leprosos esquecidos na porta, gente rejeitada, cansada, deixada de lado, mas que teve coragem de fazer a pergunta que muita gente precisa fazer hoje: por que estaremos nós aqui até morrermos? Tem hora que a virada não começa com força, começa com decisão. Eles se levantaram sem garantia, caminharam sem saber o que iam encontrar, e quando chegaram descobriram que Deus já tinha passado na frente. O exército tinha fugido, a comida estava lá, a provisão estava pronta e o cerco já estava quebrado. Samaria achava que era o fim, mas Deus já tinha preparado escape fora dos portões. Por isso não morra parada no lugar onde a dor te colocou. Levanta, se move, volta a ouvir Deus, para de chamar resto de provisão, para de aceitar migalha como banquete, para de tratar como normal aquilo que está denunciando fome dentro da alma. Quando Deus decide mudar uma história, Ele usa até quem foi esquecido para anunciar abundância. Samaria chegou ao limite, mas o limite de Samaria nunca foi o limite de Deus.
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