Talvez você se identifique com Pedro, a primeira história relatada no início deste capítulo, e tenha em sua família alguém que ocupe o lugar de prioridade em seus relacionamentos.
Talvez para algumas pessoas seja difícil de imaginarem-se unidas ao cônjuge a ponto de ele ocupar o lugar prioritário. Isso certamente se dá porque na família de origem há pessoas que são tão importantes para elas que não acreditam que se identificarão com o cônjuge na mesma proporção. É possível que não consigam mesmo estabelecer esta identificação, se não tiverem dispostas a construir esta cumplicidade com o futuro cônjuge.
Há ainda pessoas que não tiveram um bom relacionamento com suas famílias de origem e, por isso, formaram fortes vínculos com amigos. Estes são tão fortes que o futuro cônjuge se torna uma ameaça para a amizade. Na realidade, a amizade é que uma ameaça para a nova união. Unir-se a uma pessoa significa deixar claro para ela e depois publicamente que ela é a pessoa com a qual você tem um compromisso de vida.
Em termos práticos, isto quer dizer que a partir de então a maioria de suas decisões deverá ser tomada a dois – cabe a você avaliar quais as decisões podem influenciar os planos do casal. A compra de bens, a mudança de emprego, uma viagem ou qualquer outra decisão deste tipo necessita do consentimento dos dois.
É fundamental entendermos isto, pois é neste ponto que reside os maiores conflitos relacionais do casal. Ocorre, por vezes, de um dos cônjuges ou ambos combinarem algo com terceiros e não primeiramente um com o outro.
Para muitos, um relacionamento de tomada de decisões a dois soa como falta de liberdade. Na realidade, esta prática é uma forma de cuidado e proteção indispensáveis à união. Unir-se a seu cônjuge é deixar claro que se houver algum conflito de interesses entre o cônjuge e sua família de origem, você ficará com a opinião dele.
É nesta ação de priorizar o cônjuge que o casal constrói o que Carlos McCord chama de “círculo de intimidade”.2 Trata-se de um espaço sagrado entre marido, mulher e Deus. Depois de tomarem as decisões a três, eles declaram publicamente o que decidiram.
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