Acho que tenho passeado por um lugar novo mentalmente, especialmente agora. Sinto que tenho invertido papeis. Eu, o maior e único coadjuvante das minhas histórias, estou assumindo mais o lugar de protagonista ou até mesmo do antagonista das minhas vivências. De todas elas. Tenho trazido para mim responsabilidades, respeitado as minhas vontades, insistindo e desistindo sem fazer cálculos complexos para saber se a estrutura emocional sustenta ou não mais um andar. O amor? Ele saiu do protagonismo. Ele ainda faz parte da história. Mas percebi que a minha vida contina existindo ainda que eu não ame alguém, mas o meu amor por alguém só vai existir se eu mesmo estiver presente. Nem sempre estou. Nem sempre estive. Não é justo comigo e com a minha complexidade, com todas as outras áreas do meu ser, ser só um coração que ama. Existe o ódio, a indiferença, o asco. Muitos outros sentimentos também fortes e relevantes em deteminados contextos. Se o amor, agora, ou ainda, não sorriu para mim, tudo bem. Ainda há coisa a ser feita. Existe sempre uma louça ou uma roupa suja, um boleto para vencer, um aniversário de um amigo para ir ou um show que me roube de mim. Eu consigo caminhar sozinho.
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