A infalível providência de Deus
“O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Sl 23:1).
A doutrina bíblica que destaca o cuidado do Senhor em nossa vida é a chamada Providência de Deus. A expressão “Providência de Deus” não é encontrada nas Escrituras, mas está presente em cada uma de suas páginas. Deus faz cumprir sua vontade e propósitos em nossa vida, fazendo fruir todos os acontecimentos em seu Ser, que hospeda toda existência.
Mesmo o livro de Ester, que enfrentou dificuldades em ser reconhecido como “canônico” por não fazer referência a Deus, afirma-se a inequívoca agência de Deus em favor do seu povo. Mordecai confessa fé na Providência do Senhor quando diz a Ester: “Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha?” (Et 4:14). Muitas coisas ocorrem que não percebemos e que são, na verdade, providências antecipadas que preparam a manifestação do cuidado e do suprimento de Deus em nossa vida, às vezes um detalhe, uma conversa, uma presença.
Conquanto a expressão “Providência de Deus” não seja encontrada na Revelação Bíblica, há uma passagem que chama o favor de Deus exatamente com a palavra “providência”, talvez como um dos nomes de Deus. Quando Abraão recebe a ordem de ir sacrificar seu filho, vai obedecer sem titubear. A fé sempre será vista em nossa obediência. Assim, novamente o patriarca saiu para um lugar que não sabia de antemão, uma vez que, quando recebeu a ordem, Deus disse que lhe indicaria o local, da mesma forma que ocorreu quando saiu da sua terra e da sua parentela para ir para uma terra que o Senhor haveria de mostrar.
Ao chegar ao monte que o Senhor indicou, subiu com tudo o que era necessário ao sacrifício. Indagado pelo próprio Isaque onde estava a vítima, a resposta de Abraão é sua confissão inabalável quanto à sua fé na Providência de Deus: “Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos” (Gn 22:8). Por fim, depois de o Senhor ter providenciado o cordeiro para morrer no lugar de Isaque, uma figura de Jesus que deu sua vida em nosso lugar, por tão significativo que foi, o patriarca faz questão de nomear aquele lugar, uma forma de garantir a memória daquilo que o Senhor havia feito: “E pôs Abraão por nome àquele lugar — O Senhor Proverá. Daí dizer-se até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá” (Gn 22:14). Quando estabelece como nome do lugar: “O SENHOR Proverá” (Heb. יהוה יראה), para alguns estudiosos aí está mais um dos nomes de Deus, que destaca exatamente o “Deus providente”.
Pois bem, quando iniciamos a leitura do Salmo 23 nos deparamos exatamente com essa verdade. A afirmação: “YAHWEH é meu pastor e nada me faltará” não deve ser entendida como uma verdade estrita, no sentido de que, tendo Jesus em minha vida, jamais sentirei falta de qualquer coisa que seja. Certamente, isso não é verdade. Há muitas coisas que nos fazem falta: perder alguém querido, ser impedido de realizar coisas no reino que fazíamos como nosso ministério, a convivência familiar, a saúde, o emprego ou a fonte de nosso sustento material etc.
A continuidade do salmo me explica claramente o que Davi, o autor do salmo, quer dizer com “nada me faltará”: “Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (vs. 2-4). Destaca-se o cuidado do Senhor em nossa vida. Mesmo quando somos surpreendidos por perdas repentinas devo confiar que o Senhor está cuidando de mim, levando-me a pastos verdejantes, trazendo o refrigério levando-me a águas de descanso, dessedentando minha alma, guardando-me no vale da sombra da morte e diante de todos os inimigos.
Porém, e diante de situações de dor e tristeza, nas quais ao invés de cuidado do Senhor, parece mais abandono? Lembremos primeiramente que Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46), exatamente para que nós jamais o fôssemos. São situações em que precisamos aprender que jamais devemos fazer perguntas a Deus cujas respostas não temos capacidade de entender e assimilar. É o propósito soberano do Senhor, caminho muito mais alto do que nossa compreensão. Aprendemos nossa pequenez e limitação e, assim, a grandeza do poder e da sabedoria do Deus Providente. A fé na Providência de Deus, que ele está atuando ainda que não consiga perceber, é central a fé cristã, indispensável para nos sentirmos amados por Deus sempre. Assim, Davi nos ensina que a certeza do cuidado providencial do Senhor em nossa vida diminui a falta das coisas e pessoas que realmente nos fazem falta.
Creiamos em Jesus e no seu cuidado para conosco. Ele é o Supremo Pastor, alguém que cuida infalivelmente. Por isso, ainda que passemos pelo vale da sombra da morte, não temeremos. A maior de todas as bênçãos do Senhor para esta vida é a paz, algo sobrenatural, fruto da presença do Espírito em nossa vida, que nos faz ficar tranquilos mesmo nas maiores tormentas. Não abra mão dessa bênção! Esteja seguro em Deus! Creia na irresistível, irrevogável, infalível Providência de Deus. Saiba desta realidade: ele está sempre cuidando de nós, de todos os seus filhos. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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