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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

PAZ

 Paz de mente, paz de espírito

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21).

 A mente humana é algo real e extremamente complexo. Nossa identidade com o Senhor deve nos levar à simplicidade de pensamento. Algo que separa a existência do Ser divino da nossa caída é exatamente que há simplicidade na mente do Deus trino. Enquanto o ser humano pecador encontra diversos dilemas e conflitos interiores, resultantes dos muitos medos e incertezas que o afligem, o Ente divino tem essencialmente a solidez da pura verdade, da realidade absoluta das coisas, a segurança da plena certeza da existência. Todos os pensamentos da mente tripessoal do único Deus frui serena, simples, diferente das turbulências e dos turbilhões que, não raro, afetam dolorosamente a mente mesmo do crente.

 Uma das maiores bênçãos que temos no Senhor é exatamente a segurança e a paz ao nos identificarmos com ele. Esse conceito faz parte integrante da experiência do verdadeiro convertido. Ele se “parecerá” com Deus. Ora, já fomos criados à sua imagem e semelhança. Uma vez que o Criador não tem corpo, nossa única identificação com ele é essencialmente espiritual. Chamados “filhos de Deus”, isso também implica tal identificação. Um filho bem-criado se parecerá com seu pai. Pode ser que tenha temperamento diferente, mas se assemelhará a ele em suas atitudes e conceitos. Certamente, falando-se de uma família de crentes e da educação cristã, um filho piedoso tenderá sempre a imitar seu pai em tudo o que for correto, santo e puro.

 De certa forma, percebemos o princípio da identificação nas palavras de Jesus, quando ele diz que devemos amar mesmo os que não nos amam e não nos saúdam, pois o nosso Pai celeste faz levantar o seu sol sobre maus e bons e vir chuva sobre justos e injustos (Mt 5.45, 46). Segundo o Senhor, essa é uma evidência de sermos filhos de Deus, ao agirmos como ele age. Há identidade entre o Pai eterno e seus filhos redimidos. Nesse sentido, quanto mais buscarmos a comunhão diária com Jesus, mais resgataremos a imagem e semelhança de Deus em nós, mais nos pareceremos com ele, consequentemente, mais solidez e segurança na alma, menos conflitos e fragmentações interiores.

 No entanto, embora, como nascidos de Deus, já temos a nova natureza, é nossa responsabilidade buscá-la e vive-la. Isso não será simples resultado do exercício da imposição da vontade, mas ela deve fluir em nós na medida em que imergimos na comunhão constante com Cristo. É um erro pensarmos no Salvador apenas em nosso momento devocional. Ao invés disso, devemos conversar com ele constantemente, sabendo que ele está conosco todos os dias, a cada momento, até a consumação dos séculos. Sempre em sua presença, orando em conversas constantes, pedindo orientação para todas as coisas, agradecendo instantaneamente as bênçãos que recebemos no dia, teremos o ambiente da vivência da nova natureza, na consciência de que estamos no mundo, mas não pertencemos a este mundo.

 Faz parte da experiência da nova natureza o exercício do domínio de nossos pensamentos. O contexto do verso epigrafado é de muita dor e tristeza. Jeremias chora a realidade inescapável do exílio. Em nossos dias, dificilmente temos a correta dimensão do que isso significava. Geralmente pensamos apenas na privação da terra, em ser levado cativo. Tais realidades, por si só, já são terríveis e hediondas. Porém, implicavam mais do que isso. Além da escravidão e do desterro, para o povo de Deus significou mortes de queridos, perda de propriedades, dissolução da família, estupros e a destruição do Templo, a impossibilidade de adorar a Deus como deveriam. Por muito menos do que isso nossa mente já se turbaria com ansiedades e preocupações agoniantes e corrosivas, enorme tortura de alma.

 É curioso que, se não tomarmos cuidado, nossa mente de ocupará muito mais com pensamentos ruins, de dor e tristeza, do que com as maravilhosas imagens das coisas celestiais. Isso, de certa forma, é uma tendência normal e natural, exatamente porque o mundo em que vivemos é caído, amaldiçoado e essencialmente mal. Por conseguinte, não podemos ter uma visão otimista do homem caído e de uma sociedade de pecado. O resultado da existência de um pecador sempre tenderá à dor, à tragédia e ao exercício do mal. Mesmo as condições políticas e sociais do mundo, especialmente de nosso país, têm trazido grande preocupação e insegurança. Contudo, o crente, apesar disso, deve ter confiança no Senhor e se alegrar com a eternidade que já há em seu coração. Não se trata de florear a situação, fingir que a realidade do mundo é outra, mas se alegrar pensando nas coisas do alto, buscando as coisas do alto (Cl 3.1-3).

 Como crentes temos a bênção de viver “a paz que excede todo entendimento” que guarda mente e coração em Cristo Jesus (Fp 4.7). Faz parte disso orientar nossos pensamentos sempre às melhores coisas, vivendo por fé e não apenas por aquilo que vemos. Para Jeremias, significava a certeza das misericórdias de Deus, que se renovam a cada manhã. Elas não têm fim. Há um suprimento inesgotável de misericórdia, pois todos os dias ela é renovada em nossa vida. Ao invés dos males deste mundo, enchamos nossa mente de todo pensamento que edifica, que nos constrói mais e mais à imagem de Jesus, vivendo a realidade e o fruto do Espírito em nossa vida.

Não à amargura! Lancemos fora todos os dilemas, medos e inseguranças de um espírito adoecido e fragmentado, alma dividida, ânimo dobre. Sim à simplicidade de alma, à solidez da vida com o Senhor, à paz sobrenatural que vivemos por fé, fruto do Espírito, orientando todos os pensamentos para o bem e para tudo o que edifica. Experimentemos a paz de mente, um espírito verdadeiramente apaziguado. Essa é a maior das bênçãos resultantes da presença de Jesus em nossa vida. Tenha um abençoado dia presença de Cristo

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