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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VIDEIRA


“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda” (Jo 15.1, 2).

Este texto traz mais um dos ditos “Eu sou” de Jesus. Nosso Senhor se mostra divino, assumindo para si o nome do Deus revelado a Moisés no Antigo Testamento. Quando aquele que foi vocacionado para libertar o povo do Egito recebeu sua comissão, foi também a ocasião quando o Senhor se apresentou a ele. Este é o contexto no qual alguém diz seu nome: está se abrindo e convidando para um relacionamento profundo. Ao revelar seu nome, Deus mostra que não há ninguém como ele, sua singularidade e grandeza, ocupando o lugar que só ele pode ocupar. Jesus é YAHWEH encarnado.

Na ocasião em que se deu o discurso que inclui o verso supracitado, nosso Senhor utiliza a metáfora da videira. Diz ser, ele próprio, a planta. A videira, no contexto do judaísmo, e isso, desde o Antigo Testamento, tem o sentido de abundância e prosperidade. Dela se retirava a matéria prima para o vinho, símbolo da alegria e da riqueza. É por isso que o Senhor se referiu a Israel e Judá como vinhas que foram assoladas, figura do juízo de Deus no Antigo Testamento (p. ex.: Is 5.1-7). Portanto, ao se comparar à vinha, traz o conceito do judeu que é ele, Jesus Cristo, e unicamente ele, aquele que pode trazer verdadeira prosperidade e alegria ao ser humano.

No entanto, certamente, não aquela pretendida pelo povo à época de sua vinda, qual seja, a libertação dos romanos e a riqueza material, mas a liberdade no Espírito e a alegria e paz eternas. Quando utiliza a expressão “eu sou” neste texto, não está apenas atribuindo o nome de Deus a si, mas enfatizando que ele, e apenas ele, é a videira verdadeira. Como Deus, somente ele pode trazer verdadeiramente vida e paz eternas. Além da dignidade e singularidade dessa planta, nosso Senhor indica o importante papel do “agricultor”, figura na qual reconhece o trabalho de seu Pai.

Entendemos nisto especialmente a ideia daquele que plantou. A videira é do Pai, aquele que a semeou e cuidou até o seu crescimento. Assim, fica descrita e estabelecida a obra do Pai ao comissionar o Filho para realizar a salvação dos eleitos. No entanto, como dissemos, é responsabilidade do agricultor não apenas plantar, mas cuidar da vinha. Destarte, exerce constante vigilância para observar os ramos que não estão frutificando como deveriam, que se mostram meras “sanguessugas”, ou, melhor ainda, “seivassugas”.

Um ramo ligado ao caule, que não produz fruto, está consumindo seiva dos ramos produtivos. Em outras palavras, aqueles nutrientes deveriam ser utilizados para produzir, não apenas para manter a existência de um galho improdutivo. Por causa disso, todo ramo que não frutifica é cortado e lançado ao fogo. Era exatamente isso que um lavrador faria em sua lide diária, o que ilustra aquilo que o Senhor faz na vida de alguém que se declara discípulo, mas o é apenas na aparência: condenação eterna. Essa é preciosa lição para todos os tempos, mas especialmente para nossa época quando as aparências substituíram a essência como padrão da realidade e da existência.

Desde os filmes que, valendo-se dos impressionantes avanços na computação gráfica, mostram enorme realismo em temas ficcionais, até os procedimentos estéticos e maquiagens, mas sem o igual sucesso, o ser humano aprendeu a viver de ilusões, de miragens, de aparências. Percebamos que a igreja de Cristo também sofre com tal influência. Em nossos dias, para grande parte dos crentes, vida cristã se resume a ir à igreja, adotar determinados cacoetes espirituais, um macaquear evangélico, comportamento aprendido e imitado, quando muito, assumir algo que gosta de fazer e o promova na estrutura da igreja, e buscar seus próprios interesses. Temos que trazer sempre na memória que somos constantemente influenciados pela época em que vivemos. Portanto, cuidemos para que não sejamos, tão-somente, um galho folhado, mas que não dá qualquer fruto. 

Lembremos que o agricultor zela para que os galhos produtivos sejam constantemente limpos. Tira-se dele excesso de folhas, material morto que lhe confere peso. Faz-se de tudo para lhe dar as melhores condições possíveis para a frutificação, a fim de que sua produção seja otimizada ao máximo. Esse princípio deve ser reconhecido e aplicado a coisas de nossa vida, tudo o que nos atrapalha na produção. Deus deliberadamente retira, a fim de que produzamos o máximo para a sua glória. Certamente, não se fala apenas de coisas ruins ou pecaminosas (folhas secas), mas mesmo de coisas lícitas que estejam de alguma forma nos atrapalhando na produção (o “excesso de folhas”). A pluralidade de responsabilidades e o ativismo têm como consequência a ineficiência. Estar ligado a Cristo é um privilégio, mas que impõe a necessidade do fruto. Além da bênção há também uma importante exortação. Ouçamo-la.

Frutificar é ainda a satisfação de todo crente. Não há nada mais vazio do que olhar para si mesmo e perceber que sua vida é estéril, improdutiva. A satisfação pelo resultado de nossa vida está ligada tanto a coisas corriqueiras, como a dona de casa que vê uma cozinha limpa como resultado de seu esforço, como também às mais importantes atividades da alma, como o culto a Deus e dar à luz a um filho espiritual. Devemos nos dedicar a cumprir todas as nossas responsabilidades e ocupar o nosso tempo de forma sábia, dedicando a glória de todo o resultado ao Senhor. Que não sejamos crentes de aparência, mas realmente de frutos. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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