A despeito de todas as frustrações e e decepções continuo enamorado da vida, sou crente no potencial humano e nutro o anseio de que artesãos transfigurem a história.
Mesmo se tentam asfixiar a bondade e o mal me parece inexorável.
A bondade humana se parece para mim como o mato que rompe o cimento da calçada.
Mesmo oprimida sob camadas de iniquidade a benignidade há de vingar (o vinho bom pode vir do mesmo lagar onde se esmagam as uvas da ira).
Creio no bem.
Sobrevivo da força do amor que não cessa de ressurgir em meus músculos.
Acordo movido pela esperança e sei: os mesmos ventos imprevisíveis de uma tempestade estufam as velas do navio em o aventureiro desbrava o oceano.
Lembro de Vinicius de Moraes em 1946. No pós guerra ele disse: “o pranto que choramos juntos há de ser água para lavar dos corações o ódio e das inteligências o mal entendido”.
Sim, a humanidade é viável – caso contrário já teria desaparecido desde a pré história.
Mesmo em meio a tanta perplexidade, meus olhos encontram alegria nas nesgas de uma luz insondável.
Essa doença que nos aflige não é para a morte. Ainda podemos virar o jogo.
Enquanto as crianças mantiverem louvor à vida e homens e mulheres não se ajoelharem no altar do cinismo, a promessa continua de pé:
“Os mansos herdarão a terra”.
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