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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

DEUS


“Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e temíveis coisas que os teus olhos têm visto” (Dt 10.21).

Todo ser humano é um crente! Significa dizer que todos são crédulos, todos constituem uma base “sobrenatural”, subjetiva, para sua vida. Mesmo os chamados ateus e agnósticos professam sua fé na ciência, na evolução, no Big Bang, que não passam de teorias transformadas em verdade absoluta mesmo para aqueles que afirmam não haver verdade absoluta, dogmas da ciência, devido ao anseio humano de se estabelecer como a medida, o padrão e a chancela da verdade. Mesmo nunca jamais tenham sido comprovadas, são cridas. A aceitação de uma afirmação que não pode ser comprovada exige fé, crença.

Assim, entendamos que não há ser humano que não seja crente em algo. Essa verdade levou todas as culturas ao desenvolvimento de religiões. Não há um único povo que não tenha criado alguma religião. O homem precisa de algo para basear sua vida que vá além dele mesmo. Sua segurança tem que estar baseada em coisa transcendente a ele, alguma suposta verdade maior que si mesmo, critérios legitimadores, uma estrutura que lhe dê compreensão da vida, do propósito de sua existência, do bem e do mal, ainda que apenas aquilo que lhe convém e o que não. O pecador, afastado de Deus, precisa de um referencial. Cada um tem o seu, que podem ser parecidos, mas jamais serão o mesmo, pois são projeções do coração, e não há corações idênticos.

Uma vez que compreendemos esta verdade: que todo homem é um crente, fabricante de seus próprios deuses, que podem estar vinculados à religião, ou mesmo à ciência, devemos nos perguntar se isso não poderia ocorrer tendo por objeto o Deus e o Cristo da Bíblia. Colocando isso de outra forma, seria possível o homem, por sua tendência natural de criar e formatar seus próprios deuses, engendrar seu próprio Deus e seu próprio Cristo, diferentes daqueles revelados nas Escrituras? Ora, há o Cristo do Espiritismo, no evangelho segundo Alan Kardec, o ápice do processo evolutivo da reencarnação. Há também o Cristo do Islã, reconhecido como um dos profetas, mas inferior a Maomé. Há o Cristo da umbanda, reconhecido como Oxalá.

Já as feministas, se recusam a aceitar o que se explicita sobre Deus nas Escrituras, afirmando gerar uma interpretação machista. Para elas, a verdadeira essência de Deus é feminina. Tomam o texto de Provérbios, capítulo oito, quando Deus se personifica na sabedoria, para dizer que, como na língua hebraica a palavra sabedoria é feminina, então não há um único Deus verdadeiro, mas uma única Deusa verdadeira, que se manifestou nos panteões dos povos na forma de suas principais deusas. Além disso, criaram a Crista, a silhueta de uma mulher pregada à cruz.

Na época de Jesus também havia a expectativa de um Messias diferente daquele encontrado nas Escrituras, formatado segundo as expectativas libertárias dos judeus em relação ao romano, a autonomia da Judeia. Por isso, entendamos que todo falso crente, todo o que tem uma fé temporária, e estão dentro das igrejas, desenvolveram seu próprio Deus e seu próprio Cristo.

Mesmo o crente verdadeiro, por ser ainda um pecador, não está isento do risco de dar algum contorno próprio ao Deus e ao Cristo bíblicos. Somos tendentes a projetar em Deus a nossa imagem e semelhança, ao invés de nos conformamos, de assumirmos a forma que o Criador já nos deu como seu reflexo. Colocando isso de outra forma, todo deus criado pelos pecadores é alguma modalidade de super-homem, um homem melhorado, divinizado, mesmo que, às vezes, manifestando ainda boa parte dos pecados praticados pelos homens.

Por isso, urge considerarmos se nossa fé está real e exclusivamente centrada nas Escrituras, não em alguma expectativa de nosso coração. O Deus dos atos temíveis muitas vezes não se harmoniza com a visão que se tem hoje de Deus, definido geralmente como sendo essencialmente amor. De fato, vemos o apóstolo João defini-lo assim (1 Jo 4.8). No entanto, o problema não está na afirmação bíblica, mas sim no conceito de “amor” que tem o crente. Amor, nas Escrituras, é fazer o que é certo ao próximo, sem exigir qualquer emoção ou sentimento. Certamente, não são atos vazios ou indiferentes, antes, atos de vontade, resultado de se querer sinceramente o bem para o próximo.

No entanto, em nossos dias, o amor foi resumido a mero sentimento. Assim: sinto, logo amo. Não! Sentimento desacompanhado de obras não passa de hipocrisia, uma forma de enobrecimento pessoal oco, culto de si mesmo. Amor é essencialmente ativo, bem como, todas as virtudes. Deus ama quando me corrige, quando permite que eu passe por sofrimentos, perdas e dificuldades. O amor de Deus foi demonstrado no ato da cruz, na obra redentora, quando o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuaram para salvar os eleitos. Não é sentimento! Todos os sentimentos humanos se ligam a aquisições ou perdas, ou às expectativas de tais coisas ou situações. O que seria um sentimento para Deus? O que ele perde? O que ele ainda não tem? Que situação o leva a alguma expectativa? Ele governa soberanamente todas as coisas e tudo já é dele.

O texto epigrafado ensina que os grandes feitos de Deus no Egito, para libertar o povo, e no deserto, para preservá-lo, tinham também como objetivo mostrar aos israelitas o caráter temível de Deus. É exatamente o temor gerado por atos tão portentosos que deveria levar o povo ao louvor, à adoração. Os atos redentores do Senhor são atos de juízo. A libertação do povo da escravidão no Egito foi juízo sobre os egípcios. A tomada da terra de Canaã pelos hebreus foi juízo de Deus sobre os cananeus, por suas abominações. A salvação operada por Cristo na cruz foi juízo de Deus sobre ele, para pagar a nossa dívida eterna.

Nesta época emocional e psicológica que vivemos, somos tentados a ter um relacionamento sentimental com o Senhor, acreditando que nossos sentimentos são mostras legítimas do que somos, de nossa fé. Que engano diabólico. O que mostra a fé e a fidelidade são os frutos, obras de justiça, não apenas sentimentos intensos no coração. A verdadeira fé sempre se manifestará em obras. Olhemos para os temíveis feitos de Deus, fixando nossos olhos no maior de todos: a cruz! Tenhamos claro diante de nós o Deus que ama por meio de atos de justiça. Temamos o fato de ainda sermos pecadores, embora redimidos, para que não nos acostumemos com nossos pecados. Adoremos ao Deus verdadeiro. Tenha um excelente dia na presença do Deus dos atos temíveis 

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